9 anos de Madrid, 9 mudanças de hábitos

Poderia soltar aqui um montão de frases feitas do tipo “parece que foi ontem” ou “o tempo passou e nem vi” porque não estaria dizendo nenhuma mentira. Estou completando nove anos morando em Madrid e, embora pareça muito menos, também é verdade que muita coisa mudou desde então, principalmente eu – mas Madrid também. Cheguei aqui com 26 anos me achando o ápice da maturidade e, cá estou, na vibe de “só sei que nada sei”. Já Madrid em 2011 estava ainda sentindo os reflexos da crise que atingiu a Espanha em 2008 e foi se recuperando, mas agora volta a um momento bastante delicado. Nesses 9 anos de Madrid, passei por muitas mudanças de hábitos, sendo algumas resultados do simples passar do tempo e outras da mudança de país e de cultura. Esta listinha é bem pessoal e adoraria saber de quem emigrou se também sentem essas (ou outras mudanças) em suas vida

  • Carro

Sem dúvida, a maior mudança foi a de usar o carro para praticamente tudo a não ter carro. Eu nunca comprei carro no Brasil, mas minha mãe sempre me emprestou e eu usava para tudo! Lembro que ia de carro até o parque onde fazia caminhada para emagrecer!! Hoje em dia, isso nem passa pela minha cabeça.

Claro que é impossível comparar SP e Madrid por vários motivos: distâncias, qualidade do transporte urbano, segurança, condições de vias para pedestres (especialmente aqueles com alguma limitação), etc. Todas as vantagens que Madrid oferece ajudam muito quando alguém decide não ter carro ou não usá-lo com frequência, mas também é necessária uma mudança de comportamento de cada um para adotar outro estilo de vida e outros meios de transporte.

Tem gente que mora aqui e não abre mão do carro? Claro, especialmente no atual cenário pós-pandemia, mas viver sem carro é algo bem tranquilo por aqui. Atualmente, os meios de transporte que mais utilizado são: caminhada e bicicleta pública.

Pedalando no inverno e com máscara para evitar a poluição (antes da covid-19)

Para deslocamentos curtos em que o carro é necessário, usamos os de aluguel por minuto e, para viagens longas, alugamos um carro.

  • Shoppings

Quando morava em SP, eu ia ao shopping para tudo: comer, comprar uma lembrancinha, ir ao cinema, passear, encontrar amigos, tomar um café, etc. E eu adorava! Desde que vim morar aqui, isso deixou de ser um hábito por vários motivos, entre eles o de não haver shoppings no centro da cidade. No começo sentia falta, mas depois me dei conta de que era muito melhor fazer tudo que eu fazia caminhando pela cidade, desfrutando da luz natural e, o mais importante, conhecendo os bairros de Madrid e suas lojinhas, bares e restaurantes.

Claro que os shoppings são bastante úteis em cidades como SP, já que reúnem tudo em um só lugar. Você pega o carro e vai pra lá sem ter que ficar circulando, mas aqui em Madrid eles perdem o sentido. Claro que eles existem e são uma boa se você quer ver várias lojas, especialmente aqueles que são outlet, mas para quem não tem carro ir até eles acaba representando um grande deslocamento.

Além disso, o shopping acaba sendo um programa em família, já que normalmente tem área para as crianças brincarem; mas, por aqui, é muito mais comum levar as crianças nos parques públicos que a cidade oferece.

  • Fast food e franquias

Tenho que assumir que amo um fast food! Quando cheguei aqui, lembro que fiquei super feliz porque tinha Taco Bell e porque o 100 Montaditos vendia cerveja a 1€, mas essa fase passou. Primeiro porque já não sou mais estudante com o dinheiro super justo, depois porque descobri as maravilhas da gastronomia espanhola e prefiro comer bem e, por último, porque é sempre mais bacana apoiar o pequeno empresário. Não há nada como ir a um bar clássico da Espanha e tomar uma caña bem tirada com sua tapa!

  • Adeus, cartão de crédito

“No débito ou no crédito?”. Que falta eu sentia de ouvir isso quando cheguei por aqui! Na Espanha, o cartão de crédito não é tão popular e acessível quanto no Brasil e quando você abre uma conta, deve comprovar que tem uma renda razoável para poder pedir um cartão de crédito. Além disso, não há o costume de parcelar as compras! Eles compram roupas, passagens aéreas, eletrodomésticos e praticamente qualquer coisa à vista.

Mudar a forma de comprar exige certo esforço, mas acabei me acostumando e agora acho muito melhor não usar o cartão de crédito para tudo porque assim evito as dívidas, rs!

  • Horários

Almoçar às 14:30 e jantar às 22:00? ¡Sí, por supuesto! Fazer as refeições bem mais tarde foi um hábito que demorei a adquirir, mas agora já acho bem esquisito almoçar às 12 e jantar às 19. Quando vou ao Brasil fico perdida nos horários, rs.

  • Comprar local

Este é um hábito que acredito que tem muito mais relação com o momento atual em que vivemos do que com o fato de morar aqui, mas venho tentando substituir o hábito de comprar tudo nos supermercados ou de grandes marcas por pequenas lojas/produtores locais. Claro que nem sempre é possível, já que muitas vezes os preços são bastante mais altos, mas, como consumidora de cerveja artesanal, acabei abrindo os olhos para a importância de valorizar pequenos produtores de forma geral, tanto pela qualidade do produto quanto pelo impacto social e econômico que esse consumo traz, além de proporcionar um contato muito mais próximo e pessoal.

Loja do bairro de sabão, sabonetes, shampoo

  • Planejamento de viagem

Sabem a Monica Geller de Friends planejando/organizando qualquer coisa? Essa era eu com as viagens, calculando cada minuto e gasto das viagens. Com o tempo, mudei bastante e acho que o fato de morar na Europa e saber que viajar para qualquer país vizinho é muito mais fácil, por estar perto e ser mais barato, ajuda bastante. Mas também acho que decidi aproveitar mais o que surge de surpresa e esses momentos das viagens costumam ser sempre os mais divertidos!

 

  • Siesta

Não me convidem para nenhum plano num domingo depois do almoço porque minha resposta provavelmente será: tá doido/a? Na hora da siesta? Essa sonequinha no meio da tarde oferece benefícios para a saúde e é um costume arraigado na Espanha, conforme contei aqui.

 

  • Mais independência

Claro que este ponto é bastante óbvio. Depois de nove anos morando longe da família e dos amigos, ou a gente aprende a ser mais independente ou não “sobrevive”; mas o que queria dizer é que aprendi a fazer muita coisa sozinha e a gostar disso: ir ao cinema, almoçar, viajar, tomar uma cerveja, assistir a shows, etc.

Mas o que mais curto daqui é o fato de que os casais costumam fazer muita coisa sozinhos ou com seus respectivos grupos de amigos. Adoro sair para dançar ou viajar só com as minhas amigas e também adoro ter uns dias sozinha em casa quando o namorado viaja. Sem grilo, sem drama (obviamente como muitos casais no Brasil e outros lugares, mas eu não estava tão acostumada a isso antes de vir pra cá).

Visitando uma cervejaria na Bélgica

Bom, essas são as nove mudanças, mas também queria ressaltar algo que não muda nunca: a saudade! Da família, dos amigos, de São Paulo, da comida, da garoa, de ir pra praia no final de semana, dos churrascos, de cantar música brasileira no karaokê e um longo etc.

Vocês que moram aqui há algum tempo também adotaram outros hábitos? Contem nos comentários! A foto principal do post, que aparece nas redes sociais, é de 2008, pouco menos de três anos antes de eu vir morar aqui, quando eu já adorava essa cidade e não imaginava que viria a ser minha casa um dia.

4 Comentários em 9 anos de Madrid, 9 mudanças de hábitos

  1. Concordo com tudo hahahaha eu também fazia tudo no shopping e hoje em dia quase nunca vou!

  2. Tudo depende do seu padrão de comparação. Outras pessoas com experiência idêntica, mas com padrão de comparação diferente já teria muitas opiniões contraditórias em relação as suas. Bem, mas não vou entrar em detalhes e prefiro parabenizá-la pelos seus comentários.

    • Oi, Marc. Sem dúvidas! Em nenhum momento eu disse que essa é a regra e sim a minha vivência. Tenho amigos brasileiros que continuam usando o carro, indo ao shopping ou comendo arroz com feijão com bastante frequência. Não há um certo ou errado, cada um tem que encontrar a fórmula do que o faz feliz, né? Obrigada pelo comentário!

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