Exposição World Press Photo, o melhor do fotojornalismo em Madrid

O texto de hoje sobre a exposição fotográfica World Press Photo é um guest post escrito pelo fotógrafo e jornalista brasileiro Pedro Mox, radicado em Madrid.

Cancelado no ano passado, o World Press Photo 2021 traz à capital espanhola uma edição marcada pela pandemia do coronavírus.

O ano de 2020 “não aconteceu”. Marcado pela pandemia, confinamentos em todo o mundo por conta da covid-19, deixou milhões de pessoas em casa ou isolamento. Os fotógrafos, porém (como de costume), não pararam. Pelo contrário. E o resultado dessa produção de imagens em um ano tão atípico está na premiação do World Press Photo, que em Madrid acontece de 6 de novembro a 8 de dezembro, no Colegio Oficial de Arquitectos de Madrid (Calle Hortaleza, 63). Barcelona recebe a expo entre 11/11-12/12.

Os trabalhos estão divididos em oito categorias. Não obstante, instantâneos relacionados à pandemia vão além de “notícias gerais”, permeando editorias como esporte, meio ambiente e retrato. Marika Cukrowski, diretora de exposições da Fundação World Press Photo, comenta que a expografia foi pensada para que esses trabalhos ficassem próximos – tal montagem permite ao visitante perceber como a covid interferiu em espaços que por vezes nem imaginamos.

Passa pelo escalador obrigado a improvisar sua parede de treino pelo fechamento das academias à médica com o rosto marcado pelas incontáveis horas com máscara e óculos. E o leão marinho encontrando um objeto nada apropriado ao seu ambiente. Essa imagem, aliás, gerou dúvidas na comissão julgadora quanto à manipulação, conta Marika, mas a análise do arquivo bruto comprovou sua veracidade.

São 45 operários e operárias da imagem, de 28 países, cujos trabalhos foram selecionados entre as quase 75 mil fotografias apresentadas ao concurso. Essa seleção é completamente anônima, comenta a diretora. “Primeiro o júri vê apenas as imagens, seleciona as que seguem adiante; depois tem informação do que se trata, depois leem as legendas… Os nomes são apenas conhecidos após a decisão das fotos vencedoras”.

Brasil

O Brasil aparece na expo em três momentos. O primeiro é a foto do ano, tirada pelo dinamarquês Mads Nissen em São Paulo. A imagem da “cortina dos abraços”, ideia do lar Viva Bem, mostra o primeiro abraço em cinco meses de Rosa Luzia Lunardi, 85 anos, com a enfermeira Adriana Silva da Costa Souza. Sem qualquer contato direto.

O segundo é a sequência de imagens de Lalo de Almeida. O paulista ganhou a categoria Meio Ambiente (histórias) com o ensaio sobre as queimadas no Pantanal, cuja intensidade do fogo foi tamanha que não restou aos animais tempo para escapar.

O terceiro não é fotográfico, mas textual. Ante a atual situação política vivida no país, a organização legendou da seguinte maneira as imagens citadas:

  • El presidente brasileño, Jair Bolsonaro, desestimó las afirmaciones sobre la gravedad de la pandemia y el peligro que representaba el virus, socavó las medidas de cuarentena adoptadas a nivel estatal y alentó a los brasileños a seguir trabajando para mantener a flote la economía. Brasil terminó 2020 con uno de los peores registros a nivel mundial en la prevalencia virus, con unos 7,7 millones de casos reportados y 195.000 muertes.
  • Muchos de los incendios son resultados de la agricultura de roza y quema, que se ha hecho más prevalente a causa de una debilitación de las leyes de conservación bajo la presidencia de Jair Bolsonaro.

Os ingressos da exposição estão à venda no site oficial e custam 5€ de terça a sexta, 6€ aos finais de semana e feriados e 3€ às segundas. Também é possível comprar diretamente nas bilheterias, mas se estiver com a ocupação máxima, você terá que esperar.

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